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“Há muita pressa e rebuliço nos nossos sistemas nervosos. Não chegou o metro e todos se levantam, uma manada de viajantes que entopem o caminho de quem quer sair das carruagens. São pequenos hábitos que nos controlam e nos corroem como uma carraça escondida na orelha.

 Mal o avião toca na pista e já se ouve o estalar metálico dos cintos de segurança, as portas dos compartimentos para a bagagem, os guinchos dos telemóveis lembrando-nos de que o mundo exige que estejamos sempre presentes. Não podemos perder nada. Se o computador demora mais uns segundos a acender, amaldiçoamos deus e a empresa fabricante – há uns anos, um jogo do Spectrum 48 k demorava tanto tempo a entrar que dava para ir fazer um lanche ou ler meio livro do Homem Aranha.

Se apanhamos fila no supermercado, está o dia em ruínas, se alguém demora a arrancar num semáforo há logo uma buzina causadora de gaguez e úlceras. Temos de ter a mesma velocidade da internet banda larga e a satisfação permanente das meninas magrinhas nas capas de revista ou dos anúncios de cerveja.

Qualquer micro obstáculo que dificulte a concretização dos nossos desejos mais simples e imediatos se torna num falhanço. E mesmo que tanta coisa não dependa de nós, mesmo que os nossos ataques de nervos não resolvam as incorrecções do universo, continuaremos a pensar que as nossas queixas são tão poderosas como para acelerar metros ou conseguir melhor cobertura de rede. A impaciência é um estilo de vida. E não ser feliz a tempo inteiro, segundo a segundo, é hoje um enorme falhanço existencial. “

por Hugo Gonçalves

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Hum, passei no meu antigo blog (este portanto), e pus-me a pensar no real significado dos 31.765.

Se cá passaram esse número de visitas, o que é que motivava a maioria delas? Eu confesso, que sou um pouco “mete nojo” às vezes, tal como toda a gente (e principalmente o Tuga), às vezes gosto de meter o bodelho mesmo em coisas que não gosto. Alguns blogs fazem-me rir. E com isto não quero dizer que o meu antigo Blog não fosse o mesmo para as 30 e tal mil visitas. Tudo relativo.

Há uns tempos, todos os dias fazia uma visita diária pelos meus blogs favoritos e aprendi muito com isso, é o que sei. Gostava que alguns voltassem ao activo, principalmente nestas horas mortas que tenho tido no trabalho.

Enfim, isto para dizer que me apetece voltar a este espaço. De vez em quando.

Aquelas pessoas que parece que nunca têm um bocadinho de loucas e até desiquilibradas em certas alturas, assustam-me. Às vezes apetece-me gritar-lhes aos ouvidos.

“Estou farto do lirismo comedido

Do lirismo bem comportado

Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente

protocolo e manifestações de apreço ao Sr. Diretor.

Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário o

cunho vernáculo de um vocábulo.

Abaixo os puristas

Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais

Todas as construções sobretudo as sintaxes de excepção

Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis

Estou farto do lirismo namorador

Político

Raquítico

Sifilítico

De todo lirismo que capitula ao que quer que seja fora

de si mesmo

De resto não é lirismo

Será contabilidade tabela de co-senos secretário

do amante exemplar com cem modelos de cartas

e as diferentes maneiras de agradar às mulheres, etc.

Quero antes o lirismo dos loucos

O lirismo dos bêbados

O lirismo difícil e pungente dos bêbedos

O lirismo dos clowns de Shakespeare

– Não quero mais saber do lirismo que não é libertação.”

Manuel Bandeira.

A favor da estupidez há muito mais a dizer do que normalmente se pensa.

Pessoalmente, tenho a maior admiração pela estupidez. Quem sabe se não é por algum tipo de solidariedade.

Meditações:

Oscar Wilde

Lee.

“Nada de pintores, nada de literaturas, nada de músicos, nada de escultores, nada de religiões, nada de republicanos, nada de realistas, nada de imperialistas, nada de anarquistas, nada de socialistas, nada de bolchevistas, nada de políticos, nada de proletários, nada de democratas, nada de burgueses, nada de aristocratas, nada de exércitos, nada de polícia, nada de pátrias, enfim, basta de todas essas imbecilidades, mais nada, mais nada, nada, NADA, NADA, NADA.”

Manifestos Dadá

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Fotógrafo:

David Houncheringer

Lee.

Escrevo este manifesto para demonstrar que se podem realizar acções opostas, ao mesmo tempo, num único e fresco movimento. Sou contra a acção; e em relação à contradição conceptual, e à sua afirmação também, não sou contra nem a favor, e não me vou explicar, detesto o senso comum.

Tristan Tzara

E  já é outono.

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